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22 junho 2011

por vezes me pergunto .....





Por vezes me pergunto até quando as pessoas que projetam as coisas, principalmente veículos e motores, vão continuar adorando esses negócios lisos e sem sal.

Hoje ao levantar o capo de um carro de 8 cilindros o que vemos é simplesmente uma tampa plástica ou metálica com dizeres indicativos de que por baixo desta placa está um motor extremamente complexo e de alto rendimento. Provavelmente um objeto lindo e riquíssimo em complicados detalhes, algo bom de se ver.
 A mesma coisa acontece com as motos modernas. Não interessa a marca, todos os projetistas se esmeram em tampar, alisar, passar por dentro ou simplesmente juntar tudo em um bloco insosso.
Posso estar sendo preconceituoso, mas me parece que desde quando desenhista se transformou em designer e desse de quando analista de mercado (gerente de marketing) passou a ser mais importante que os engenheiros, as coisas antes complexadamente bonitas começaram a desaparecer.
Perdoem-me os caras da MAC, mas dizer que aquele tijolinho liso e sem nada (Iphone) é um objeto bonito, no mínimo é falta de criatividade. Parece que os responsáveis pela aparência das coisas ficaram preguiçosos ou perderam a mão.
Voltando ao exemplo do carro, duvido se o engenheiro que idealizou o tal do motor não ficaria muito mais satisfeito e orgulhoso se sua criação ficasse exposta. E se possível com muito mais peças moveis ressaltando os inúmeros HPs ali existentes.

                                

Vamos sonhar e imaginar se a Harley, por exemplo, voltasse a produzir o Knucklehead, um dos motores mais bonitos que este fabricante já fez. E o fizesse com toda esta tecnologia disponível, mas sem deixar de valorizar a beleza das partes. As curvas em vez de cantos vivos. Tubos em vez de dutos internos.

Se não me engano, os caras da Triumph foram os únicos que se deram ao trabalho de esconder um sistema de admissão de injeção eletrônica dentro de um corpo de carburador. Acetaram em cheio. Tem coisa mais sem graça que um bico injetor e tem coisa mais intrigantemente bonita que um belo carburador?



Meu irmão, o corpo de admissão de uma HD moderna é uma das coisas mais feias que já fizeram.
Dai alguém pode dizer, para que ser bonita se o que interessa é que funcione e também a coisa fica por traz do filtro de ar. E este tipo de pensamento massa é normal.
Então me lembro de quando trabalhava em uma fábrica de produtos de luxo (barcos). Foi lá que conheci um dos meus mestres. E este mestre trabalhava incessantemente com o fardo de ensinar aos funcionários como fabricar um produto realmente luxuoso.
Ele falava que os detalhes, a arrumação, a harmonia e a beleza deveriam ser objetos de muita atenção. Principalmente nos porões e áreas de serviço dos barcos que fabricávamos.
Segundo ele, e eu concordo, uma porta se tornava um objeto de decoração e expoente do luxo se ao ser aberta, os mecanismos de dobradiças e fechaduras fossem dignos de atenção e admiração.

Por que tem que ser só funcional. Por que não pode ser bonito.

As pessoas esqueceram que as bombas de óleo passaram a ser internas porque não existia tecnologia disponível para impedir os vazamentos. Hoje existe.
Olha só isso:




Já pensou isso ai com 1600cc funcionando liso e perfeito. Usufruindo de toda a tecnologia que conhecemos.

Os caras que desenharam a ficção cientifica no inicio do século passado certamente pesavam que seria assim. Pena que até agora não deu muito certo.


20 junho 2011

Primo





Recentemente, importei um martelo de ourives. O fiz por uma única razão, o fato de ele ser lindo. Mais parece um amuleto ou até mesmo uma batuta.
Sei não, mas o fato de eu ter parado de beber e fumar está tornando as coisas cada vez mais lisérgicas. Só pode ser.
Para se ter uma ideia, logo quando ele chegou passei mão do objeto e fui mostrar para familiares e amigos. Fiz fotos com ele e outro de sua espécie. E nem precisa dizer que o bichinho está sempre comigo. Principalmente quando estou debruçado nos enigmas inerentes a minha profissão.
Bom, nesta viagem toda percebi (com este celebro careta que a terra a de comer) que o tal do martelo (qualquer um) é primo.
Um primo por vezes distante, distanciado ou pouco relevado, mas primo sempre.
E isto é fato (ou não). Na verdade está cada vez mais difícil distinguir ficção de realidade. A sorte neste caso é que o objeto é palpável.
Mas porque primo?

Primo de primeiro. Ou melhor, primeira ferramenta (só lembrar o macaco naquele filme).
Primo de fundamental. Essa não precisa de comentário.
Primo de família. O martelo é primo da picareta por exemplo. É primo, mas não é picareta.
E principalmente (pelo menos para mim) primo pelo fato de ser um principal catalizador de histórias.
Realizei que todo mundo tem uma passagem envolvendo um martelo. Nem que seja o fato de já ter caído um no pé.
Meus amigos, donos de oficinas ou não que são donos de martelos ou não, têm em média duas histórias por ferramenta. Mas só lembram isso quando entro em cena falando de martelos.
Engraçado, parece que é assim com outras coisas na vida também.
Voltando ao aço frio. Nenhuma importância atribuída a estas constatações. Mas não custa nada lembrar pequenas trivialidades.

12 junho 2011

mITOLOGIA oU VERdADE

Esta semana tive a oportunidade de fotografar o famoso “calcanhar de Aquiles”. E o melhor é que não tive que ir a Grécia. A coisa apareceu debaixo do meu nariz dentro da minha oficina.
Pensando bem acho que a passagem mitológica que mais se encaixa é aquela do Davi e Golias.
Pois é, parece até aula de história e mitologia. Mas é a dura verdade de um monstro de 1450cc (quem sabe até 1580cc?) que é derrubado por um minúsculo intruso de menos de 3mm e 1/10 de uma grama.



Como todo mundo sabe ou pelo menos os proprietários de Twin Cam deveriam saber, este modelo de motor deve sofrer uma revisão de comandos quando atinge os 50.000km.
Um dos pontos importantes desta revisão é a verificação e limpeza da placa de lubrificação (cam suport assembly).
Por três vezes me deparei com um ridiculamente pequeno pedaço de silicone preso em um dos três também ridiculamente pequenos furos de lubrificação que habitam a referida placa.
A primeira vez certamente foi a que apresentou as piores consequências. O ridículo furo interrompido foi o que leva óleo para a biela. Ou seja uma biela de U$1,800 (lá) trocada, lógico sem falar no resto das peças e procedimentos necessários para o reparo.
Nas outras duas vezes os danos foram bem menores. Apenas um dos tensores de corrente de comando ficou totalmente destruído. Lembrando bem, em um desses dois casos, tive que trocar a bomba de óleo.



Conclusão:
Impossível dizer que o motor é ruim. Mas vem com Aquiles, Davi e Golias dentro.
Dizem que as HD vêm com alguns anões dentro, pois é acho que esses são os bad dwarf da coisa. Aqueles que são primos do Murphy (o da lei) e que adoram colocar coisas no lugar errado.
Conclusão 2:
O objeto da desgraça alheia é feito de silicone. E parece ser o tipo de silicone que a fábrica usa para fechar os motores. Traduzindo, puta que pariu o silicone e quem usa para fechar motor também.
Comentário:
   ADORO A MINHA SHOVEL E AS EVOLUTIONS

11 junho 2011

Crocker Motorcycles




Funadada em 1936 por Al Crocker a Crocker Motorcycles fabricava incríveis motocicletas.

Todos os componentes da moto eram fabricados dentro da fábrica, de maneira a permitir um produto final totalmente personalizado, solo ride e de alta performance. Cada comprador podia escolher além da cor, é lógico, a relação de cambio, a cilindrada e também a quantidade de cromados.






Al Crocker trabalhou como engenheiro e desiner na fabrica da Indian por mais de 20 anos. Portanto ele e seu amigo e orientador (nos tempos da Indian) Paul Bigsby tinham know-how para lançar no mercado um produto par fazer frente as “poderosas”.

Tanto que quando Cocker apresentou o seu primeiro modelo para speed awy, totalmente feito a mão, simplesmente destroçou a concorrência mudando todos os parâmetros de performance e qualidade. A moto era de longe muito melhor que as Harleys, Indians e todos os outros por muitos anos.






As Crockers reinaram como as melhores do mercado até 1942. Então, fim do sonho de uma moto perfeita, feita a mão pelos melhores de uma época. Guerra, dinheiro escasso no mercado e tudo mais levaram ao fechamento da fábrica.

Só 100 dessas máquinas de sonho foram fabricadas entre 36 e 42, o que transformou estas motos em verdadeiras lendas. Raras e caríssimas. Uma “Hemi-head” 1937 foi vendida em um leilão por U$276,500 e uma Crocker 61 vendida por U$236,500.









Foram muitas a inovações e tantos os detalhes introduzidos por Crocker na época.
A transmissão de três velocidades podia suportar muito torque, além de ser linda e de fino acabamento. Acoplada ao espetacular motor, desenhado pelo próprio Crocker, formava um conjunto tão harmonioso que despertava vergonha e inveja na desafortunada concorrência.
O fabricante era tão confiante em seu produto que garantia o retorno de todo o dinheiro a qualquer proprietário que fosse vencido por uma Harley ou uma Indian stock.


Nenhuma devolução foi registrada.






Válvulas nos cabeçotes.
Seus cilindros dispostos em um ângulo de 45°, com diâmetro de 3,25” e curso com 3,65” a 61ci era quase um "quadrado". A saber, motores com estas características geram uma relação quase perfeita entre torque e velocidade.  
A taxa de compressão era de 7:1, mas podia chegar a 11:1 em algumas motos.
A coisa toda era planejada tendo em mente as customizações. Por exemplo, as paredes dos cilindros tinham a espessura de 3/8” (9,6mm) para permitir big bore. Tanto que algumas Crockers foram montadas com 90ci (+ ou - 1500cc).





Somado a isso tudo uma primeira marcha que ia até os 100kph. E velocidade final próxima dos 180kph. Lembrando que estes números se referem a motos stock.
Mesmo as mais bem intencionadas motos da época ficavam sentadas no banquinho.

Uma pena, muita pena mesmo que não existe mais este tipo de coisa.

19 maio 2011

Koehler Escoffier

 























Mais uma raridade da era pre-war, o motor Koehler Escoffier com 1000cc v-twin overhead camshaft. Repara só no "encanamento" que é o sistema de lubrificação. No mínimo uma obra de arte.

Esta motocicleta ficou conhecida como uma das mais bonitas maquina de corrida francesa de todos os tempos. Só 13 foram fabricadas entre 1927 e 1935. Este modelo da foto  é de um piloto chamado Georges Mnneret, e é única. Ela foi tunada por este rapaz para atingir incríveis 78 HP, quando usava álcool como combustível.

 


























O primeiro modelo produzia 35 HP a 5500rpm, e com esta potencia o piloto tinha que usar um pneu especial para não derrapar na largada. Era uma motocicleta de alta performance para a época.
Especificações:
4 tempos; 45 graus em “V”, refrigerada a ar, 980 cc (79x100mm), 78 HP a 6200rpm (com álcool), 2 x SOHC (?), 2 carburadores Amal RN, magneto, caixa com 4 velocidades, freios a tambor, roda dianteira 21, rodo traseira 19, mais ou menos 180 kg e velocidade máxima 200km/h.


11 maio 2011

Les Triplettes de Bonneville

Quatro amigos decidiram ir a Bonneville só por curiosidade, para ver como as coisas funcionam. Já tinham em mente acelerar.

Uma ideia que surgiu em um “heavy drinking dinner” e acabou se tornando uma empreitada espetacular.

O nome da trupe é uma alusão a um desenho francês e coisa e tal. Mas a essência é a moto e o sal.

Bom, a história é a seguinte, já que estavam indo para o sal, por que não levar logo um veiculo para usar lá, sem grandes pretensões.
Só que pra variar, pouca grana.
Praticamente a única solução para o problema foi espetacular.





Pois é a única máquina que cabia no bolso e estava disponível na França era a Mobylette ... muito conhecida, nada de performance mas famosa. Milhares destas foram vendidas para trabalhadores franceses no pós-guerra.
Originalmente com as seguintes características: 49,9cc perto de 1.5hp max at 4000 rpm, velocidade máxima 45 km/h. Nada para se ir até a lua, menos ainda para tentar alguma coisa em Bonneville.

É onde entram em cena os quarto mosqueteiros. E tendo em mente que “já que é para fazer, vamos fazer bem feito”.





Com a ajuda de um experiente preparador, uma vez que nenhum dos quarto era virtuoso nesse tamanho de motor dois tempos. Os caras fizeram um monstrinho lindo.
Praticamente refizeram tudo de novo.
Quadro mais baixo, motor, inventaram carenagem ….. mas o melhor de tudo é que era toda desmontavel e dimencionada para caber nas malas de viagem.
Mais uma vez eu digo espetacular.
Imagino quatro franceses desembarcando em Bonneville para correr e em vez de conteiners e caixas de especiais, os malucos tiram uma Mobillete transformada de dentro das malas. Montam tudo e alinham na pista. Lindo.





E a cara dos organizadores? E aqueles americanos “superspeedmen” totalmente super equipados olhando a cena?
Obvio que roubaram o espetáculo e se tornaram os mascotes da temporada (2008). Com toda a atenção voltada para eles.
O nome do vintage monstrinho (1956) era “Saline Contender” e foi inscrito em 4 categorias.
Gas e Fuel Sidecar e Gas e Fuel solo.




A categoria “Gas” é quando o veiculo usa a gasolina (120octanas) fornecida pelos organizadores. E na “Fuel” você pode usar qualquer mistura que te convier.
Bom, depois dos bem sucedidos testes exigidos, pista.

E o resultado, incríveis quatro recordes.
Um para cada membro da equipe (ou para cada mala de viagem). Todos na categoria Vintage 50cc.


Sidecar gas com 54.5 mph;
Sidecar fuel com 55 mph;
Solo naked gas com 57 mph;
E Solo naked fuel com 55 mph.
55cc girando a 10.000 rpm a 40°c e 1300 metros de altura.
Para mim este é o tipo do conto de fadas (verdadeiro) que gosto de ouvir.
É com isso que sonho todo dia (dormindo e acordado).







28 abril 2011

Papo de se lembrar, 23 outubro 2011 em São Paulo.


Poster postado em um blog muito bem conceituado, ou talvez muito mal conceituado (o que seria até melhor), Kemosabe and the Lodge. Parece que este evento vai reunir muita gente boa. Carniças e afins. Acoisa promete.

27 abril 2011

RETURN TO THE FUTURE: MORGAN 3 WHEELER


Morgan, o excelente e venerável fabricante de carros Inglês, redescobriu ou reinventou a história das tendências dos despojados brinquedos de três rodas. Tendo utilizado durante muito tempo o trio de rodas em seus “carros”, os construiu de 1911 a 1952, Morgan praticamente construiu um muro que esconde ou pelo menos ofusca “inventos“ mais recentes como Can-Am Spyder de 2007 ou o pseudo-Morgan Triking de 1997. Apesar de terem estes conquistado aos poucos alguns cultuadores.



Comprar um  Three Wheeler por U$40.000 carrega uma dose grande de excentricidade, de desprendimento e  de paixão.
Em questão: a combinação de uma relação de peso-potencia muito forte, com o banco tão baixo quanto um skate e um cockpit apertado e quente (reminiscente dos biplanos da 1ª guerra) transformam o fato de pilotar um desses  em algo divertidamente barulhento e rápido. Alias seriamente, alucinantemente viciante e é lógico perigoso.  Normal em se tratando de coisas de amantes das motocicletas.



Este exemplar exibido no Genebra Motor Show está equipado com um motor SandS BigTwin (S&S). Algumas modificações criaram a diferença para os motores utilizados nas motos.

Com 1800cc e 105hp, caixa de marchas Mazda de 5 velocidades e transmissão por belt empurram os 500 kg (+piloto e passageiro) de 0 a 100kmph em 4 segundos. Para um carro isso já muito rápido, imagine o fato do asfalto estar ao alcance das suas mãos, a coisa se torna insanamente rápida. E, assustador, isto é parte do charme do veículo.



É lógico que para todo este desempenho, algumas outras coisas foram mudadas.
Suspensão, freios, rodas, barras de segurança, air-bags e ainda muitos instrumentos no painel, necessários para monitorar esse monstrinho.
Algumas pinturas retrô para manter o estilo e pronto.



Mesmo tendo como irmão mais velho um classico. Originalmente equipado com motor refrigerado a água Matchless MX1000 ( como a foto abaixo) ou mesmo com um primo o Triking (que usava motor Moto Guzzi LeMans), o novo Morgam, que tem o dobro de potencia dos antecessores, certamente vai arrebatar uma grande legião de adoradores.
Mesmo por que a Morgan realizou uma enorme e caríssima bateria de testes para garantir a legalidade do brinquedo (de gente grande é claro). Já conquistada na Inglaterra e em breve nos USA (pena que nem se fala disso no Brasil).
Quem dera um teste drive.


24 abril 2011

Dariztdesign, vale uma olhada.




Só motos pequenas mas de extrema simplicidade e acabamento espetacular.


Mais um bom exemplo do outro lado do mundo. Indonésia.

11 abril 2011

Alguem escreveu:

Gimme one please! (me da uma, por favor)

Mas se alguém atender ao pedido deles vai ter que me dar uma também.

A Vincent é sem dúvida uma daquelas máquinas sem igual. Diferente de todas as outras. Basta reparar nos detalhes.





Esta Vincent foi comprada a vinte anos atrás em condições muito ruins.
Meu amigo veja o resultado de 10 anos de restauração intensa e meticulosa, ficou simplesmente sublime.
O melhor que ela não é para shows e museus, seu dono já rodou 8000km com ela depois da reforma.









Estas imagens são de uma postagem produzida pelo pessoal do Southsiders e fotografada pelo estúdio  G&P Images.